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Mostrando postagens de julho, 2025

Tlön, Uqbar, Orbis Tertius – Borges: um conto ou um labirinto de ideias entre realidade e ficção?

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                                 Sinopse Publicado pela primeira vez em 1940, Tlön, Uqbar, Orbis Tertius é um dos contos mais conhecidos de Jorge Luis Borges e uma obra-prima da literatura fantástica e filosófica. A narrativa começa quase casualmente, com Borges e um amigo discutindo uma estranha entrada enciclopédica sobre um país inexistente, Uqbar. A partir daí, o leitor é arrastado para uma espiral de descobertas sobre Tlön, um planeta fictício cuja cultura, filosofia, matemática e até física seguem lógicas completamente diferentes das nossas.  Escrito no período entre as duas guerras mundiais (maio de 1940 na revista argentina "Sur"), o conto também reflete uma ansiedade cultural: o medo de que ideologias e sistemas de pensamento possam reconfigurar a realidade de maneira irreversível . Orbis Tertius pode ser lido como uma alegoria para regimes totalitários, que “reinventam” a história e a re...
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  Sinopse A coletânea Gótico Americano , publicada pela Editora Pandorga, é uma verdadeira viagem pelas sombras do gênero gótico, reunindo autores consagrados e alguns menos conhecidos para explorar temas como morte, vício, culpa, paixão e o lado oculto da natureza humana. Com histórias que percorrem diferentes países e sensibilidades, do mórbido latino-americano à melancolia puritana estadunidense e o sarcasmo brasileiro,  a antologia mostra o quão diverso e fascinante pode ser o gótico no continente americano. “(...) todos os efeitos que o gótico pode proporcionar: o medo, o horror, a beleza e a contemplação da melancolia e da obscuridade, bem como todos os assuntos inerentes ao próprio continente americano, como colonização, questões raciais, socioeconômicas e de gênero.” Um passeio pelas trevas: gótico além da Inglaterra Quando pensamos em “gótico”, logo surgem castelos medievais, tempestades na Cornualha e heróis atormentados das páginas britânicas. Mas Gótico Americano ...

Guerra, Adorável Guerra – Julie Berry: quando amor, música e mitologia se encontram em tempos de destruição

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Sinopse Imagine uma história de amor em plena Primeira Guerra Mundial… contada pelos deuses do Olimpo. Em Guerra, Adorável Guerra ( Lovely War ), Julie Berry entrelaça mitologia grega com história, criando um romance sensível e inovador. Afrodite, a deusa do amor, é acusada de adultério no Olimpo. Para se defender, ela não apresenta argumentos; ela conta histórias,  duas histórias de amor que se cruzam em meio ao caos da guerra, à perda e à esperança. Hazel e James se conhecem num salão de dança em Londres, num momento de encanto que será logo testado pela brutalidade dos campos de batalha. Aubrey, um músico negro americano, e Colette, uma belga marcada pelas cicatrizes da guerra, encontram consolo e força um no outro. Ao redor deles, o horror das trincheiras, o peso da desigualdade e a urgência de manter viva a chama do que nos torna humanos. O romance alterna as vozes de diferentes deuses: Afrodite , com ternura e desejo de provar que o amor humano é mais profundo do que se acre...

Villette – Charlotte Brontë: solidão, desejo e resistência silenciosa

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Sinopse Publicado em 1853, Villette é o último romance de Charlotte Brontë e, para muitos, o mais ousado e introspectivo de sua obra. A narrativa acompanha Lucy Snowe, uma jovem inglesa que, após uma tragédia pessoal nunca totalmente revelada, parte sozinha para a cidade fictícia de Villette. Ali, ela encontra trabalho como professora em um pensionato feminino e precisa lidar com desafios emocionais, culturais e espirituais, enquanto tenta construir um espaço de pertencimento em um mundo que insiste em apagá-la. A história, narrada em primeira pessoa, se destaca por sua profundidade psicológica. Brontë cria uma protagonista que omite, esconde e distorce sua própria história , não apenas dos outros personagens, mas também do próprio leitor. Ao invés de oferecer grandes reviravoltas ou momentos de catarse, o romance mergulha nos silêncios, nas contradições e nos conflitos internos de Lucy, explorando temas como identidade, saúde mental, religião e o papel da mulher na sociedade. Min...

Resenha: Ideias para adiar o fim do mundo – Ailton Krenak

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  Ideias para adiar o fim do mundo não é uma receita, nem uma promessa. É um lembrete necessário. Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista e filósofo brasileiro, nos convida a refletir sobre o mundo que habitamos e sobre os caminhos que trilhamos enquanto humanidade. Ele aponta que o “fim do mundo” já chegou para muitos povos: culturas inteiras foram silenciadas, territórios tomados, corpos transformados em mercadoria, saberes desacreditados. Mesmo assim, há resistência. Povos indígenas, aqui e em tantos lugares, seguem sustentando seus modos de existir, seus mundos, seus saberes. Krenak denuncia o sistema que tenta se apresentar como único e inevitável, o mesmo que nega a diversidade de vidas e transforma tudo em mercadoria. Em suas páginas, ele lembra que humanidade e natureza não estão separadas, que somos interdependentes, e que outros mundos seguem vivos – mundos que dançam com os rios, que conversam com as árvores, que cultivam o cuidado. Com uma escrita breve, mas pr...